Hoje em dia, os miúdos não falam, eles gritam


[if lt IE 8]> <link rel='stylesheet' id='highlander-comments-ie7-css' href='https://s1.wp.com/wp-content/mu-plugins/highlander-comments/style-ie7.css?m=1351637563h&#038;ver=20110606' type='text/css' media='all' /> <![endif] Jetpack Open Graph Tags

StartFragment

Começou o Verão! Começaram as férias!….

Bom…constatei um facto, hoje em dia, os miúdos não falam, eles gritam… os miúdos conseguiram que se ouvissem as suas vozes bem longe. Mas, bem mais perto estavam os pobres dos coelhos, as pavoas a chocar, os pombos, as galinhas, enfim…

Por isso, a Regra Número 1, a que disse aos meus filhos (os 4, que chegaram de “escanquilhão” da cidade, diretos para as instalações da bicharada), assim que os ouvi de tais distâncias, foi: Não gritar perto dos animais.

Quem quer ter um animal “são” deve ter em conta a sensibilidade destes ao ruído. Vários estudos indicam que os animais são mais sensíveis aos sons de alta frequência do que os seres humanos. Estes estudos mostram como os animais são sensíveis a distúrbios causados pelo ruído e, de uma forma particular, a ruídos associados com as atividades humanas. Uma pesquisa conduzida por Waynert e pelos seus colegas no Canadá (Waynert et al., 1999), mostrou que gritar e assobiar aumenta mais a frequência cardíaca (um indicador de stress) de bovinos do que o som de uma porta a fechar.

Os ruídos abruptos ou aplicados de forma crónica, afetam os animais não só psicologicamente, mas também fisiologicamente e, com isso, o seu estado de saúde pode deteriorar-se, com todas as consequências. O ruído ambiental pode alterar a função cardiovascular, endócrina e reprodutiva (Bailey et al., 2010; Woolley, 2012), perturbar os ciclos de sono/vigília e pode ainda perturbar a comunicação normal entre os animais. Ainda, níveis aumentados de ruído durante o dia, causados por atividades humanas, podem também levar a mudanças de atividade nos animais noturnos (Morgan e Tromborg, 2007).

Os ruídos não passam, afinal, de sons complexos (cujas vibrações acústicas são de amplitude e fase distribuídas ao acaso), assim se queremos transmitir algo, nesses momentos, os sons devem ser modelados, baixos e, de preferência, harmoniosos.

Eles ouvem melhor quando falamos menos

They listen more when you speak lessEndFragment

A nossa linguagem corporal, as nossas expressões, um simples estalar de língua, são muito bem entendidos. Talvez não tanto com o cão ou o gato, que são predadores, mas, por exemplo, o cavalo, cuja história filogenética o desenvolveu como presa, tem uma sensibilidade extremamente afinada e um limiar de medo muito baixo. Qualquer alteração do ambiente, como um ruído mais alto, um movimento mais brusco, desencadeia uma reação que pode ser muito violenta (Leong et al., 2009 ; Gronquist e Berges, 2013) e, no caso do cavalo, poderá ser a corrida ou o sobressalto. As consequências podem ser danosas tanto para o pobre do animal, como para o potencial cavaleiro, principalmente se for um cavaleiro inexperiente ou uma (outra) criança.

Assim, passado o primeiro impacto, o da liberdade, passados tantos meses de cativeiro (dos miúdos), passado tanto tempo em salas de Jardins de Infância, consegui mais calma, mais cuidado na aproximação a tão sensíveis animais…

E conseguimos magia e entendimento…. Bem, quase sempre!

Referências

Bailey NW, Gray B, Zuk M (2010) Acoustic experience shapes alternative mating tactics and reproductive investment in male field crickets. Curr Biol 20:845–849. doi: 10.1016/j.cub.2010.02.063

Gazzaniga I (2013). Cognitive Neuroscience: The Biology of the Mind (4a. ed). W. W. Norton & Company,

Gronquist D, Berges JA (2013). Effects of aquarium-related stressors on the zebrafi sh: a comparison of behavioral, physiological, and biochemical indicators. J Aquat Anim Health 25:53–65. doi: 10.1080/08997659.2012.747450

Leong H, Ros AFH, Oliveira RF (2009). Effects of putative stressors in public aquaria on locomotor activity, metabolic rate and cortisol levels in the Mozambique tilapia Oreochromis mossambicus. J Fish Biol 74:1549–1561. doi: 10.1111/j.1095-8649.2009.02222.x

Morgan KN, Tromborg CT (2007). Sources of stress in captivity. Appl Anim Behav Sci 102:262–302. doi: 10.1016/j.applanim.2006.05.032

Turner JG, Bauer CA, Rybak LP (2007). Noise in animal facilities: why it matters. J Am Assoc Lab Anim Sci. Jan; 46(1):10-3.

Waynert DF, Stookey JM, Schwartzkopf-Genswein KS, Watts JM, Waltz CS (1999)The response of beef cattle to noise during handling. Applied Animal Behaviour Science, Volume 62, Issue 1, 15 February, Pages 27-42

Woolley SMN (2012). Early experience shapes vocal neural coding and perception in songbirds. Dev Psychobiol 54:612–631. doi: 10.1002/dev.21014

EndFragment

Tags:

Posts Em Destaque
Posts Recentes